Entre o abismo e o amparo

 


Entre o abismo e o amparo, existe um espaço silencioso onde a mente tenta compreender o que o coração já sabe.


Sinto que tenho algo a dizer, mas não sei o quê.

Mesmo assim, sinto vontade de escrever.

Sinto um calor no peito.


O que estou querendo libertar?

O desejo de controlar.


De onde vem o desejo de controlar?

Do medo de perder.


De onde vem o medo de perder?

Do apego.


De onde vem o apego?

Do desejo de possuir.


De onde vem o desejo de possuir?

Da necessidade de amparo.


Amparo é uma necessidade primordial.

Apoio também é uma necessidade primordial.


São estas necessidades as bases das nossas emoções?

Talvez apoio e amparo sejam o solo onde o ser aprende a desabrochar por si só.

A criação também é amparada.


Enquanto escrevo, surge um pensamento:

“Quem vai entender ou se interessar por isto?”


E outro tenta me convencer de que isto é tolice.

Sorrio por dentro.


Mergulho fundo em mim mesma… até um lugar onde os pensamentos começam a perder força.


E ainda assim, me pergunto: o que isso tem a ver com apoio e amparo?


Confiança.


A confiança nasce do apoio e do amparo.

Sem isso, algo dentro de nós se sente insuficiente.

E a insuficiência nos empurra para o medo — e o medo para a escassez.


Consigo ver agora algumas ramificações dessa ausência.


Mas por que estou escrevendo sobre isso?


Talvez porque, no fundo, estou tentando entender.


Às vezes penso que sou doida.

Que vivo num mundo meu, algures dentro da mente.


Há dias em que tudo parece escuro e denso.

Outros em que tudo está leve e em festa.

E isso pode mudar em poucas horas.


Talvez eu viva como o Arcano Maior, O Louco —

sem saber exatamente para onde vou, mas confiando no invisível.

Carregando comigo alguma sabedoria e algum discernimento.


E, no fundo…

não estou desamparada.


Com amor e alma,

Juliana Rosi

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