Eu ainda erro. E foi isso que me ensinou a estar consciente
Por muito tempo, achei que eu não tinha nada a ensinar porque eu ainda erro.
Eu pratico meditação.
Estudo consciência.
Vivo o caminho do autoconhecimento.
E mesmo assim, às vezes eu surto.
Reajo.
Me perco em pensamentos, emoções e histórias internas.
Isso me fazia acreditar que eu não estava pronta.
Que eu precisava “chegar lá” primeiro.
Que só poderia ensinar quando fosse mais calma, mais centrada, mais estável.
Parecia humildade.
Mas, olhando com mais honestidade, percebi que não era.
Era o meu ego.
Um ego que queria ser perfeito.
Um ego que só se permitiria ensinar quando não houvesse mais falhas.
Um ego que confundia consciência com impecabilidade.
Esse é um engano muito comum nos caminhos espirituais.
Criamos, sem perceber, a ideia de que estar consciente é:
não cair,
não reagir,
não se desregular.
Mas isso não é consciência.
Isso é perfeccionismo espiritual.
A verdade é simples e desconfortável:
eu continuo errando.
Continuo surtando às vezes.
Continuo sendo profundamente humana.
A diferença é que agora…
eu percebo.
E essa percepção muda tudo.
Consciência não elimina o humano.
Consciência ilumina o humano.
Ela não impede a reação, mas permite vê-la.
Ela não impede a queda, mas permite voltar sem violência.
Ela não cria uma pessoa perfeita — cria uma pessoa mais honesta consigo mesma.
Foi então que percebi algo ainda mais profundo:
achar que eu não tinha nada a ensinar era uma forma sutil de auto sabotagem.
O ego não queria ensinar a partir da imperfeição.
Queria ensinar a partir de um pedestal.
Mas o que eu tenho a compartilhar não é um estado ideal.
É um modo de estar.
Um modo de estar consciente mesmo quando não está tudo bem.
Um modo de errar sem se culpar.
De cair sem se abandonar.
De observar o próprio caos interno sem transformá-lo em inimigo.
Talvez o único ensinamento real seja esse:
estar consciente do que está acontecendo agora,
mesmo quando o agora é confuso, desconfortável ou imperfeito.
Não para corrigir imediatamente.
Não para “melhorar”.
Mas para não se violentar.
No fim das contas, não ensinamos porque somos perfeitos.
Ensinamos porque estamos presentes.
E presença — mesmo imperfeita — já é caminho.
Talvez consciência não seja sobre se tornar alguém melhor,
mas sobre não se abandonar quando não estamos bem.
Se quiser, me conta nos comentários como isso ecoa em você.
Com amor e alma,
Juliana Rosi

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