O fim do sequestro emocional



Você chega de mansinho.

Aos poucos, vai sequestrando a minha atenção, as minhas emoções… partes de mim.


Quando percebo, já me afastei de tudo aquilo que realmente importa.

E estou ali, completamente entregue — nas suas mãos.


Mas desta vez, não.


Desta vez será diferente.

Eu não me permito mais ser sequestrada pela intensidade de ninguém.


Porque eu já entendi:

intensidade sem consistência não sustenta nada.

Ela cria… mas não mantém.

E no fim, tudo desaba — como um castelo de cartas.

O chão some. Eu me perco.


Mas desta vez, não.

Desta vez, eu interrompo o padrão.

Desta vez, eu me escolho.


Você me encontrou diferente.

Mais inteira.

Uma mulher que se observa.

Que sente — mas não se abandona dentro do que sente.


Uma mulher que já sabe o que tem valor.

E, por isso, escolhe onde coloca a sua atenção.


Existem padrões profundos que silenciosamente comandam a nossa vida.

A gente repete ciclos… e chama de destino.


Mudam os rostos,

mas as histórias são as mesmas.


Relacionamentos que sugam.

Trabalhos que esgotam.

Laços que ferem.


Até que a gente decide olhar.


A dor do abandono não é leve.

Ela é antiga.

E, muitas vezes, invisível — até ser ativada de novo.


Dessa vez, eu fui até a raiz.


Sentei com a minha mãe.

E falei.


Sem acusações.

Mas com verdade.


Nomeei a minha dor.

Cada vez que me senti abandonada, desprotegida, desamparada.

Cada ferida que ficou aberta em silêncio.


Chorei como a criança que ainda vive em mim.

E, pela primeira vez, não a silenciei.

Eu a acolhi.


E algo mudou.


Hoje, eu escolhi.


Não no impulso.

Não no medo.

Mas na consciência.


Escolhi a vida que eu quero viver.

Escolhi não carregar mais esse padrão.


Meu coração está aberto — mas agora, também está seguro.

Leve. Presente. Inteiro.


Sem medo, não porque nada possa acontecer…

mas porque eu sei voltar para mim.


Minha mente e meu coração não se deixam mais sequestrar por qualquer intensidade que aparece.


Agora, existe um espaço entre o que eu sinto e o que eu faço.

E é nesse espaço que mora a minha liberdade.


Agora, eu posso escolher.


Com amor e alma,

Juliana Rosi

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