O Amor não está faltando



Amar é um desafio — mas não porque o amor seja difícil.

E sim porque ele se perde quando não é incorporado da maneira certa.


Vivemos tempos líquidos, onde o amor vem carregado de cobranças.

Mas, ao contrário do que muitos dizem, nós somos naturalmente amorosos.


O que acontece é que o barulho da mente e as feridas que carregamos distorcem esse amor.


Ele continua ali —

mas embaçado.


Como um canal sujo: a luz passa, mas chega do outro lado manchada.


Limpar esse canal — ou ao menos reconhecer o que o bloqueia — é a nossa missão.

Para que o amor possa alcançar o outro com mais verdade.


E sim, isso exige coragem.

Compromisso.

E, acima de tudo, compaixão.


Porque toda limpeza gera incômodo.


Quando limpamos um espaço, o corpo cansa…

mas a mente descansa.


Há leveza no ar.

O coração se aquieta.

E, mesmo com o corpo exausto, existe um alívio profundo — quase um prazer silencioso em simplesmente estar ali.


Assim também acontece dentro de nós.


Até hoje, não conheço nada que me preencha mais do que ser amável com o outro.

Mas só consigo acessar esse lugar quando estou consciente dos condicionamentos da minha mente.


E esses condicionamentos não têm poder real.

São apenas vozes antigas tentando se reafirmar.


Podemos agir a partir deles — ou não.

Mas essa escolha só existe quando há consciência.


E eu repito, quantas vezes for preciso:

consciência é a chave.


Sentir o corpo.

Observar a respiração.

Perceber os pensamentos.


É assim que o amor volta a fluir com mais leveza e verdade.


Hoje, eu só quero te lembrar de uma coisa:


Mesmo em meio ao caos…

é possível amar melhor.


Você é o canal por onde o amor quer se expressar.


Talvez você se sinta apenas como uma pequena gota no oceano.

Mas uma gota ainda é oceano.


Você faz parte dele.

Está nele.

E ele está em você.


Você é essa imensidão.


Não se deixe limitar pelos ruídos da mente.


Sim, é um desafio diário.

Principalmente no meio das tempestades internas.


Nesses momentos, a mente vai dizer que você não é capaz.

Que não é suficiente.


Mas isso não é verdade.


Você já é o oceano.


Grandioso.

Profundo.

Às vezes turbulento.

Às vezes calmo.

Mas sempre inteiro.


Como você se sente ao lembrar disso?


Pequena gota…

você não está separada do amor.


Você é.


Eu sei que pode ser difícil se enxergar assim.

Fomos ensinados o contrário desde cedo.


Mas isso não torna essa ideia verdadeira.


Tudo em você é amor.

E você já é tudo aquilo que procura.


“E as pessoas que fazem mal? E as guerras?”


Também aí existem bloqueios.

Condicionamentos que impedem o fluxo do amor.


Mas, ainda assim… nada está fora do lugar.


Até no caos existe um movimento.


Um chamado.


Um convite ao despertar.


O oceano não é só calmaria.

Ele também é força, intensidade, mistério.


E tudo isso tem um propósito:


Te lembrar de quem você é.



Com amor e alma,
Juliana Rosi

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