Aprender a não se dobrar
Tem um lugar dentro da gente
que aprendeu a se encolher.
A suavizar a própria presença,
a medir o desejo,
a engolir vontades inteiras
só pra não correr o risco de ser deixada.
Como se existir fosse algo frágil.
Como se pudesse escapar
se a gente fosse demais.
E então a gente vai se oferecendo aos poucos.
Um sorriso no tempo certo,
um silêncio quando queria falar,
um “tudo bem” atravessado na garganta…
Tudo pra manter aceso
o olhar de alguém.
Tudo pra não desaparecer.
Mas tem um instante —
quase imperceptível —
em que o corpo já não aceita mais.
Um desconforto que cresce baixo,
uma verdade que pulsa,
um limite que pede espaço.
E, dessa vez…
a gente escuta.
Mesmo com o peito apertado.
Mesmo com o medo antigo
de não ser escolhida.
A gente escuta.
E não se abandona.
Sustenta o próprio sentir
como quem volta pra casa
depois de muito tempo fora.
As mãos ainda tremem,
o coração ainda duvida,
mas tem algo ali que já não se curva mais.
E o outro pode até não ficar.
Pode se fechar,
se afastar,
não entender.
Mas, pela primeira vez,
isso não apaga quem a gente é.
Porque tem algo que permanece.
Quente.
Inteiro.
Vivo dentro do peito.
Como um sopro manso dizendo:
“eu estou aqui.”
E, talvez, seja isso…
esse momento silencioso
em que a gente deixa de implorar pra ser vista
e começa, enfim,
a se habitar.
Com amor e alma,
Juliana Rosi


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