Só me resta confiar em mim


 

Hoje me fiz uma pergunta que me atravessou por inteira:


E se tudo aquilo em que eu acredito…

tudo aquilo onde tenho depositado minhas esperanças…

for apenas uma ilusão?

Se for assim…

o que eu faria com a minha vida agora?


Antes de começar a escrever, levei as mãos ao coração e fiz uma oração silenciosa: "Já não posso — e não devo — confiar no que está fora de mim para sustentar as minhas bases."


Porque, quando olho com honestidade… percebo que não tenho certeza de nada.

Vejo apenas fragmentos de verdade.

E como construir uma vida inteira apoiada em fragmentos?


Confiar apenas em mim… é algo completamente novo.


Durante muito tempo, fui ensinada a confiar no que estava fora.
Em algo maior. Mais certo. Mais confiável.

Me ensinaram a confiar nas instituições.
Disseram que elas sabiam o que era melhor para mim.
Que trabalhavam por isso.

Me ensinaram também a confiar em Deus.
Acreditar que Ele estava fora, acima, distante…
guiando tudo.

Mas, sendo honesta…
ninguém sabe exatamente o que — ou quem — Ele é.

E, ainda assim, me pediram para confiar.

Hoje… eu já não consigo fazer isso da mesma forma.


E então a pergunta volta, mais incômoda ainda:


Como confiar no externo?

Como acreditar que existe algo — ou alguém — fora de mim

que realmente queira o meu bem acima de tudo?


Ao longo da minha jornada, comecei a perceber algo desconfortável… mas libertador:


A única pessoa capaz de me amar incondicionalmente

e querer verdadeiramente o melhor para mim…

sou eu.


Então, em que palavra confiar?

Na minha.

Mas confiar em mim não é simples.


Passei anos indo contra mim mesma.

Me abandonei para caber.

Me dei até me esgotar.

Ignorei meus limites.

Silenciei meus sonhos.

Me culpei.

Me feri.


Como confiar em alguém que me machucou tanto… sendo essa pessoa eu?

Estou aprendendo.

Construindo essa confiança, pouco a pouco.


Fazendo o oposto do que sempre fiz:


Me apoiando.

Me acolhendo.

Me dando amor — sem condição.

Respeitando meus limites.

Ouvindo meu corpo.

E, principalmente… meu coração.


Aprendendo também a não dar palco para pensamentos intrusivos.

Eles não são verdade.

São ruídos.


E o medo…

o medo não é inimigo.


Mas também não é guia.


Ele é apenas um mecanismo de defesa, moldado pelo passado.

Tentando me proteger de coisas que nem existem mais —

ou que talvez nunca existam.


Está desregulado.

Não posso confiar nele.


E, no meio disso tudo, sobra algo simples… e profundo:

Só me resta confiar no meu coração.


Um dia, meu pai me disse — num momento em que eu precisava tomar uma decisão difícil:


“Vai… e confia no teu coração.

Eu estarei aqui para te apoiar, seja qual for a tua decisão.”


Essa frase nunca saiu da minha cabeça e foi o único conselho realmente marcante que ele me deu.


E hoje eu vejo… foi suficiente.


Naquele dia, algo em mim mudou.


Eu confiei.


E tomei uma decisão com uma firmeza que nem eu reconheci.

Eu, que sempre fui tão insegura.


Não cedi à manipulação.

Não me deixei levar pela culpa.

Não me abandonei.


Porque, pela primeira vez…

eu senti que tinha apoio.


E talvez seja isso.


Talvez seja isso que eu precise construir agora:


Ser, para mim mesma, esse apoio.


Confiar no meu coração…

e jamais me abandonar —

independente das consequências.


Obrigada, pai.

Por tão pouco…

que, no fim, foi tudo.


Com amor e alma,

Juliana Rosi

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