Onde está a felicidade?
Às vezes pensamos que a felicidade só existe quando tudo está bem.
Mas, em certos momentos, ela aparece misturada às lágrimas, à saudade e às memórias que aquecem o coração.
Foi num desses momentos que esta reflexão nasceu.
A felicidade é subjetiva.
Um momento feliz para mim pode não ser para o outro.
Hoje percebi que a felicidade pode ser encontrada até mesmo nos momentos tristes. Ela se mistura a tudo.
Estava a ouvir uma música de que gosto muito e, de repente, fui olhar algumas fotos na minha galeria. Encontrei um vídeo dos meus filhos quando tinham pouco mais de três anos, brigando para ver quem aparecia mais na câmera.
Aquele momento me fez chorar.
Chorar de saudade e, ao mesmo tempo, de felicidade. Eu estava olhando para o rosto deles e lembrando do quanto amo ser mãe. A música de fundo embalava esse instante e tornava tudo ainda mais intenso.
Enquanto escrevo este texto, continuo mergulhada nessas mesmas emoções.
Triste por estar longe deles, mas feliz por poder escrever ao som desta música. Feliz por ser capaz de sentir tão profundamente. Feliz por conseguir expressar essa profundidade através das palavras.
Seco as lágrimas, com o peito cheio de saudade, e me pergunto:
onde está a felicidade?
Ela está aqui.
Agora.
Percebo que podemos acessar a felicidade mesmo nos momentos de solitude, tristeza ou raiva.
A felicidade parece estar sempre disponível. O que muda é a maneira como olhamos e interpretamos cada momento da vida.
Posso sentir tristeza por estar longe dos meus filhos e não poder estar com eles agora. Mas, em vez de me afundar apenas nessa dor, posso também olhar para tudo isso com gratidão.
Gratidão por sentir.
Gratidão por ter vivido momentos tão maravilhosos ao lado deles.
Gratidão por perceber que poderia ter aproveitado ainda mais e por desejar estar cada vez mais presente em suas vidas.
Eu escolho como quero experienciar a vida.
Posso me deixar levar completamente pela tristeza ou pela raiva…
ou posso sentir tudo isso com consciência e, ainda assim, escolher a gratidão.
E quando a gratidão aparece, algo se transforma.
Não é uma felicidade eufórica.
É mais silenciosa do que isso.
É uma sensação de quietude, de paz interior.
Para mim, isso é felicidade.
Isso não significa que não devamos mergulhar profundamente no que sentimos. Eu mesma faço isso muitas vezes. Evitar emoções é uma forma de repressão — e a repressão acaba gerando ainda mais dor.
O que venho aprendendo é outra coisa:
é preciso saber como mergulhar nas emoções.
Quando mergulhamos com consciência e presença, algo muda.
É nesse espaço que percebemos que a felicidade continua ali — disponível, mesmo dentro das emoções mais difíceis.
Talvez a felicidade não seja a ausência de tristeza.
Talvez ela seja a capacidade de permanecer presente… mesmo quando o coração está cheio de saudade.
Com amor e alma,
Juliana Rosi


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