Existe um ritmo que você esqueceu
Hoje, no fim do dia, eu parei.
E foi nesse silêncio que eu lembrei de algo que a gente anda esquecendo.
Meu coração é fonte de luz que se expande infinitamente.
No horizonte, vejo a noite cair… mas ainda resta uma última faixa de luz no céu — um alaranjado escuro, onde a luz do sol se mistura com a chegada da noite.
Meu coração se alegra diante de tamanha beleza.
Respiro fundo. Sinto a brisa suave e fresca que começa a chegar… um cheiro de plantas no ar, como um bálsamo que acalma o corpo.
A eletricidade diminui.
Meu corpo começa a desacelerar depois de um dia cheio de sol e vitalidade.
E penso comigo: a natureza é tão sábia…
O sol nos dá energia, faz a vida vibrar e brotar no seu mais belo esplendor.
Mas, em seguida, vem a noite — para refrescar, para silenciar, para nos fazer descansar.
Como um lembrete simples e profundo: há tempo para tudo.
Tempo para a atividade… e tempo para a inatividade.
Tempo para produzir… e tempo para parar.
Nada na natureza funciona sem o descanso necessário.
Então surge uma pergunta:
Por que achamos que precisamos estar sempre produzindo?
Quem colocou essa ideia na nossa cabeça… e por quê?
O nosso corpo pede. Todos os dias. Sem cessar:
“me deixa descansar… eu preciso de descanso.”
Mas seguimos exigindo mais e mais de nós mesmos, até a exaustão.
E ainda chamamos isso de produtividade.
O sol nasce.
A terra gira.
As ondas vêm e vão.
Tudo segue o mesmo ritmo, todos os dias.
O reino animal… o reino vegetal…
tudo vive em harmonia com o seu próprio tempo.
O ritmo natural das coisas.
Por que nós, humanos, insistimos em viver fora do nosso?
O que pode ser tão importante assim…
a ponto de nos afastarmos completamente da nossa própria natureza?
A ponto de já nem lembrarmos qual é o nosso ritmo natural?
Uma leve tristeza invade meu coração.
E as lágrimas escorrem.
Será que já não demos energia demais…
a estruturas que nos drenam?
Que se alimentam do nosso medo… da nossa ansiedade… do nosso cansaço?
De quantas provas ainda precisamos?
Já não estamos exaustos o suficiente?
Ansiosos o suficiente?
Desconectados o suficiente?
O que mais precisa acontecer para acordarmos?
Será que vai ser preciso perder aquilo que achamos que nos sustenta?
Porque, no fundo…
já está ruindo.
Não dá pra ver?
E então…
O que você vai fazer?
Quando aquilo que você chama de segurança deixar de existir…
quando o dinheiro, os bens, os vínculos, as certezas…
já não forem suficientes para te sustentar…
onde você vai se apoiar?
Se tudo aquilo que hoje representa o seu “porto seguro” —
inclusive a ideia que você tem de Deus —
for tirado…
o que resta?
Se um dia você abrir os olhos
e perceber que nada disso te move de verdade…
que nada disso é razão suficiente para viver…
o que você faria?
Talvez a pergunta não seja o que você faria…
mas quem você seria…
se nada mais restasse.
Com amor e alma,
Juliana Rosi


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