A versão da vida que eu quero criar


 

Ao longo da minha jornada, percebi que a maior parte do tempo agimos no automático, movidos por pensamentos que nem sequer são nossos. Foi ao parar para observar o 'gerador' de tudo o que sinto que compreendi a diferença entre ser vítima das circunstâncias e ser o governante da minha própria vida. Compartilho aqui as reflexões que me levaram a retomar as rédeas do meu caminho.


Já reparou como quase sempre reagimos automaticamente àquilo que sentimos?

Um acontecimento ocorre, surge uma emoção… e antes mesmo de percebermos, já estamos a agir a partir dela.


Mas e se cada momento da vida carregasse uma oportunidade de consciência?


Cada momento, cada acontecimento, carrega em si uma oportunidade. Nada, absolutamente nada, é por acaso ou em vão.


Partindo dessa premissa, o que cada momento quer nos dizer, mostrar ou ensinar?

Se nada é em vão, qual é o propósito de cada acontecimento?

Por que ele acontece neste instante e neste lugar?


Se um acontecimento desperta dor, ansiedade, medo ou raiva dentro de mim, então qual é o propósito dessa emoção? O que ela quer revelar ou ensinar?


Tudo o que nos acontece gera uma emoção. E quando a sentimos, temos a tendência de reagir a partir daquilo que estamos a sentir.

Os pensamentos também geram emoções. Observe e verá.


Seriam, então, as emoções uma espécie de bússola, um direcionamento?

Se partirmos desse pressuposto, torna-se essencial estarmos atentos ao que sentimos.


Mas se os pensamentos também geram emoções, significa que o primeiro a ser observado é o pensamento — pois ele está na origem da emoção que surge em determinado momento.


Grande parte — para não dizer a maioria — dos nossos pensamentos não são realmente conscientes. Surgem de forma automática.


Se os pensamentos geram emoções, e se as emoções orientam as nossas ações, então surge uma pergunta inevitável:


Quem está ao volante?


Porque, se não estamos conscientes do que pensamos, talvez estejamos a viver como um carro desgovernado.


E o que um carro desgovernado faz?


Não escolhe caminho.

Não mede consequências.

Apenas avança — destruindo o que encontra pela frente.


Seria, então, grande parte da violência que vemos no mundo fruto desta falta de consciência humana?


Talvez esta equação não seja tão difícil de resolver.

Se seguimos inconscientes, significa que não estamos a olhar para aquilo que acontece dentro de nós — os nossos pensamentos e as nossas emoções.


A resposta parece simples: tirar os olhos daquilo que é gerado e voltá-los para o gerador.

Pois é nele que está a fonte de tudo o que se materializa no mundo e nas nossas vidas.


No entanto, é muito mais fácil criticar e protestar contra aquilo que já está materializado — dor, raiva, violência, pobreza.


Olhar para dentro exige responsabilidade.

Exige reconhecer os pensamentos que alimentamos e assumir as emoções que surgem dentro de nós, em vez de projetá-las no mundo ou nos outros.


Isso implica ir contra todo um sistema de crenças que nos foi implantado, como um software num disco rígido — uma programação.


Desprogramar essas crenças torna-se, então, a palavra-chave.

Mas isso exige coragem, compromisso e responsabilidade.


Quem realmente quer parar de terceirizar a responsabilidade pela própria vida?


Quem quer deixar de culpar o diabo pelo mal do mundo?

Quem quer deixar de responsabilizar as circunstâncias por todo o sofrimento que vive?


Isso não significa ignorar o mal ou a injustiça.

Significa assumir aquilo que verdadeiramente nos cabe nesta vida: a responsabilidade sobre nós mesmos.


Significa parar de procurar culpados por tudo o que nos acontece e deixar de ocupar constantemente o lugar de vítima das circunstâncias.


Isso não quer dizer que a dor, a raiva, a tristeza ou o medo desaparecerão.

Significa apenas que podemos parar de agir automaticamente, inconscientemente, como um carro desgovernado.


Significa que podemos — e devemos — tomar as rédeas da única coisa que realmente podemos governar: nós mesmos.


Assumir a responsabilidade não é um fardo.

É o início da liberdade.


Porque, no momento em que deixamos de culpar o mundo por aquilo que sentimos, algo muda profundamente:


finalmente voltamos a ocupar o lugar de autores da nossa própria vida.


Se isso fez sentido para ti, começa agora mesmo.


Observa os pensamentos que alimentas.

Percebe os momentos em que culpas os outros pelo que sentes.

Repara quando te colocas no lugar de vítima, como se aquilo que pensas e sentes viesse de fora de ti.


Assume a responsabilidade.


E descobrirás algo precioso: a verdadeira liberdade.

A liberdade de participar conscientemente da criação da vida que desejas viver.


Com amor e alma,

Juliana Rosi 

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