O dia em que parei de correr e comecei a respeitar meu ritmo
Talvez eu não estivesse triste.
Eu só estava cansada de sobreviver.
Quem me acompanha sabe: meus textos sempre foram intensos.
Eu escrevi sobre dúvidas, angústias, recomeços, altos e baixos.
Eu vivi muita coisa por dentro.
Mas depois de tanta intensidade, eu percebi que precisava de descanso.
E, sem grandes anúncios, fui aos poucos me dando essa oportunidade.
Mesmo com medo do que iam dizer.
Porque todo mundo está correndo atrás de alguma coisa.
E quando alguém decide desacelerar, isso causa estranheza.
Eu tinha medo do julgamento.
De acharem que eu não queria trabalhar.
Que eu estava “escolhendo demais”.
Que eu queria ser sustentada.
Mas comecei a ouvir meu corpo.
E ele pedia descanso.
Fui entendendo meu próprio ritmo.
Respeitando esse ritmo cada vez mais.
Sem me saturar com preocupações.
Eu sei que não funciono bem em ambientes fechados.
Jornadas exaustivas.
Fazer a mesma coisa todos os dias, no mesmo lugar.
Isso me gera ansiedade, irritabilidade, exaustão.
E eu decidi que não queria mais voltar para isso.
Então fiz a minha parte.
Com calma.
Esperando que aparecesse um trabalho coerente com quem eu sou hoje.
E apareceu.
Essa semana eu trabalhei limpando casas.
Voltei com o corpo cansado… e a mente tranquila.
Faz muitos anos que eu não me sentia assim.
Sem euforia.
Sem precisar provar nada.
Sem viver no extremo.
Só serena.
Eu entendi uma coisa importante:
felicidade, para mim hoje, é coerência.
Coerência entre o que eu preciso
e a vida que eu estou construindo.
Trabalhar três dias.
Descansar nos outros.
Respeitar meu ritmo.
Ter limites claros — alguns inegociáveis.
Não é uma vida espetacular.
Mas é uma vida verdadeira.
E, para quem viveu tanto tempo no extremo…
isso já é revolucionário.
E você…
já percebeu quando deixou de sobreviver e começou a viver?
Com amor e alma,
Juliana Rosi


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