O medo do silêncio
Existe um momento específico em que a solidão deixa de ser ausência de pessoas
e passa a ser ausência de ruído.
É quando não há nada para fazer, ninguém para responder, nenhum papel para cumprir.
Nesse espaço, a mente começa a se mexer, o corpo fica inquieto e algo dentro de nós quer escapar.
Talvez não seja carência.
Talvez seja o medo do silêncio.
A solidão e a carência podem nos enganar?
A mente se ocupa apenas para sustentar a sensação de que existir precisa ter um propósito?
Talvez essas duas perguntas sejam a mesma.
Ansiedade.
Medo.
Mas medo de quê?
Será que estar só, sem nada para fazer, não é um erro…
mas um convite?
E se aceitarmos o convite exatamente como ele é —
sem distração, sem fuga, sem preenchimento?
O que acontece quando não fazemos nada?
Será que temos medo da paz?
Porque ela ainda nos é estranha?
Ou será medo de desaparecer no silêncio, no vazio, no nada?
A mente parece entrar em pânico quando não tem o que fazer.
Como se o vazio fosse ameaça.
Mas e se o vazio for paz?
O problema talvez seja que, num mundo barulhento e caótico,
a paz soa como desconhecido.
E o desconhecido assusta.
O ego quer existir o tempo todo.
Quer ser visto, elogiado, compreendido.
Quer atenção, conforto, validação.
Quando não há o que fazer nem o que pensar, ele perde o chão.
E então cria ansiedade, cria medo, cria urgência.
Talvez não seja a solidão que doa.
Talvez seja o encontro consigo sem anestesia.
Então deixo a pergunta:
Quão difícil é, para você,
ficar em silêncio
sem fazer absolutamente nada?
Talvez o vazio não queira ser preenchido —
talvez só queira ser habitado.
Com amor e alma,
Juliana Rosi


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