O dia em que não precisei resolver nada



Passei boa parte do dia a tentar entender o que estava a sentir, até perceber que talvez não precisasse entender nada.


Havia um cansaço que não era só do corpo.

Era como se tudo estivesse a acontecer ao mesmo tempo por dentro.


Uma confusão silenciosa.

Um peso difícil de nomear.

Uma tristeza leve, misturada com carência e exaustão.


A mente, como sempre, começou a procurar saída.

Vasculhou relações, decisões, dinheiro, o futuro.

Não porque houvesse uma resposta clara, mas porque sentir incomoda.


Ela quer resolver.

Quer garantir.

Quer segurança.


O curioso é que não foi nenhuma grande compreensão que mudou o estado.

Não foi uma frase bonita, nem uma revelação espiritual.


Foi um banho.

Água.

Comida simples.


O corpo acalmou primeiro.

A mente veio atrás.


E foi aí que percebi o quanto me cobro para estar bem o tempo todo.

O quanto essa exigência silenciosa também me cansa.


O meu professor de Vedanta costuma dizer que não somos as nossas emoções.

Num momento estamos tristes, noutro já não.

Hoje isso deixou de ser teoria.


Ainda estou cansada.

Mas a tristeza passou.


No lugar dela surgiu algo tranquilo, natural, sem picos.

Não alegria forçada.

Não euforia.


Presença.


Às vezes, regular é suficiente.

Não para resolver a vida.

Mas para voltar ao centro.


Com amor e alma,

Juliana Rosi

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