Havia uma felicidade à espera, nas raízes



Demora um tempo até percebermos quando algo chegou ao fim ou quando simplesmente não é para nós.

Mas esse tempo não é castigo.

Esse tempo é lapidação.

É onde desvendamos camadas e mais camadas da nossa própria existência.


Dentro dele há desafios que parecem não ter fim.

Quando pensamos que terminaram, voltam — vestindo outra roupa — só para nos mostrar que ainda há vestígios ali.


Esse desdobrar de camadas gera um cansaço emocional e psicológico profundo.

Ora clareza, ora confusão.


E ainda assim, tudo está arquitetado de forma tão magnífica que, no meio do caminho, surgem pequenos portos onde podemos atracar.

Nem que seja por uma noite.

Nem que seja só para respirar.


São pausas breves que nos devolvem força e coragem para atravessar o mar revolto.


Até que, ao enxergar o quadro todo — ou ao menos uma boa parte dele — começamos a perceber algo simples e duro:

andamos a bater em portas que não se abrem.

Testamos inúmeras chaves.

Nenhuma serve.


É então que desistimos de continuar a bater.

E escolhemos, finalmente, canalizar essa energia para nós.


Quando ousamos fazer o que é melhor para a nossa saúde mental, emocional e para a nossa estabilidade em todos os níveis, algo volta a florescer dentro de nós.


Uma planta que nunca esteve morta.

Apenas concentrava energia nas raízes, para suportar os períodos mais rigorosos.


Cada atitude tomada em direção ao cuidado é água.

Cada escolha honesta é rega.

E pouco a pouco, as folhas voltam a brotar.


O nome dessa planta é felicidade.


Uma felicidade conhecida, mas há muito esquecida.

Doce.

Suave como algodão.

E, ao mesmo tempo, firme e sólida.


Uma leveza ocupa o peito.

A certeza silenciosa de que fiz bem em largar a armadura.

De que parar de lutar também pode ser um ato de coragem.


Hoje, permiti-me ser guiada.


Deixei de planejar respostas, de criar narrativas paralelas, de ensaiar falas para não errar.

Deixei de tentar controlar tudo para que tudo parecesse impecável.


Lembrei-me de algo essencial:

o tempo de luta acabou.


Agora é tempo de descanso.

Tempo de entregar.

Tempo de parar de fazer o trabalho que nunca foi meu.


Isto não é o fim da linha.

É o início de um novo ciclo.


E eu estou pronta.


Com amor e alma,

Juliana Rosi

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