O tempo certo das coisas
A vida floresce no compasso certo, mesmo quando não percebemos.
Hoje, durante a aula de pilates, algo se abriu dentro de mim.
Enquanto o corpo se movia devagar, senti que a vida também tem o seu próprio compasso — diferente do da mente, diferente do dos desejos. Há um ritmo silencioso que tudo conduz, mesmo quando não percebemos.
Percebi que, por tanto tempo, cuidei do meu interior. Foram anos de mergulho, de entender, de sentir, de curar. Agora, sem que eu tenha planejado, chegou o tempo de cuidar do corpo — e é como se a alma tivesse chamado por isso.
Tudo o que eu desejava está, aos poucos, ganhando forma. Não da maneira como imaginei, mas da forma que a vida sabe fazer acontecer.
Viver é desafiante. Muitas vezes sinto que é muito fácil me perder nesses desafios — achar que nada está mudando, ou que apenas giro em círculos que parecem não evoluir. Mas isso é uma ilusão, porque a cada novo ciclo aprendo algo novo.
Hoje sei que foi a capacidade de olhar com curiosidade e calma para as minhas experiências que me faz enxergar isso — e acalmar a mente que quer tudo aqui e agora.
Às vezes, situações que acreditamos já ter curado voltam a aparecer. Voltam não para nos castigar, mas para nos refinar, nos lapidar.
Refletir sobre isso me enche de um sentimento que quase não sei nomear… tranquilidade, talvez. Paz.
Ao perceber que está tudo como deve estar, e no tempo certo, sinto uma serenidade profunda. A ansiedade por achar que algo está errado, ou que estou atrasada, simplesmente desaparece.
A busca constante por melhorar, a frustração por achar que nada muda — também desaparecem.
Permaneço.
Apenas permaneço, aqui e agora.
E no aqui e agora reside a minha paz.
Autora: Juliana Rosi


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