O Mundo Me Lê Errado — Mas Eu Sei Quem Sou



Hoje caiu uma ficha que me abalou por dentro — daquela forma boa, que mexe, que abre espaço, que faz respirar mais fundo.


Eu sempre achei que me expor demais era um defeito.

Que escrever sobre as minhas angústias era exagero.

Que mostrar as minhas dores me deixava… ridícula.


Passei tanto tempo a tentar ser “forte”, “coerente”, “controlada”, que nem percebi que a parte mais verdadeira de mim estava a ser empurrada para o canto: a minha vulnerabilidade.


Mas hoje, enquanto ouvia um homem falar sobre a coragem que existe em ser vulnerável, algo dentro de mim acendeu.

E eu percebi, assim, do nada — mas também de tudo — que aquilo que eu tanto tentei esconder… é justamente o meu trunfo.


A minha vulnerabilidade é o que liga.

É o que cria ponte em vez de muro.

É o que faz alguém do outro lado sentir: “eu também já me senti assim”.

É o que dá sentido ao que vivi, ao que escrevo, ao que partilho.

É o que transforma ferida em caminho.


Eu nunca fui “demais”.

Nunca fui “tola”.

Nunca fui “exposta de mais”.


Eu fui sincera.

E, no fundo, sempre fui corajosa.


Hoje entendi que não preciso vestir uma armadura para existir.

O que faz a minha força é justamente aquilo que treme.


E pela primeira vez, em muito tempo, senti que estou exatamente onde preciso estar: dentro da minha verdade, sem pedir desculpa por sentir.



Juliana Rosi

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