O silêncio depois da tempestade
Há momentos em que o silêncio fala mais alto que qualquer promessa.
Quando deixamos o medo para trás, não é o vazio que nos acolhe, é a paz.
E é nessa pausa — entre o fim e o recomeço — que a alma aprende a respirar de novo.
Separei-me.
Não apenas de uma pessoa, mas de um lugar dentro de mim onde o medo morava.
Foram meses a tentar manter o equilíbrio num chão que tremia — entre ansiedades, conflitos, e o constante esforço para ser compreendida. Até que um dia, percebi que a paz que eu procurava não podia florescer naquele terreno.
A separação não foi um ato de coragem súbita, foi um despertar.
Um murmúrio interno que disse: “já chega”. E quando ouvi, algo em mim finalmente exalou. O corpo descansou, o coração sossegou, e o silêncio — aquele mesmo que antes me assustava — tornou-se o meu abrigo.
Agora, sinto uma felicidade serena, quase sagrada.
Não é euforia, é presença.
É o mistério de estar viva e inteira, sem precisar justificar nada.
Aprendo que a tranquilidade também é uma forma de amor — talvez a mais profunda de todas.
Autora: Juliana Rosi


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