O Paradigma do Medo
Há momentos em que o mundo parece mover-se por forças invisíveis — crenças partilhadas, medos silenciosos, ideias que se repetem como ecos antigos. Mas quando começamos a ver com olhos despertos, percebemos que a realidade não é algo fixo… é algo que se revela conforme o olhar que escolhemos ter.
A vida é marcada por muitas nuances: ora apego, ora desapego.
Parece uma dança — e, curiosamente, uma dança muito bem orquestrada.
Quem diz “vida” diz também “mente”, afinal, o nosso pensamento molda a nossa realidade.
Creio que são os paradigmas instalados na mente que determinam os tipos de pensamentos predominantes em cada pessoa — e, consequentemente, os seus padrões.
Os padrões são conjuntos de pensamentos recorrentes, influenciados diretamente pelos paradigmas que carregamos.
E esses paradigmas, na sua maioria, são coletivos. Ou seja: grande parte de nós partilha as mesmas crenças de base.
Um exemplo claro disso é o medo.
O medo é um paradigma coletivo, um instrumento de controlo subtil, alimentado pelos canais televisivos, pelas propagandas e pelos discursos políticos.
O medo disseminado por esses meios influencia diretamente a qualidade dos nossos pensamentos.
Se passamos os dias a consumir notícias desastrosas na televisão ou na internet, acabamos por viver em constante apreensão: medo das circunstâncias, medo de perder quem amamos, medo da violência, da guerra, da perda da casa, do emprego ou do dinheiro.
E, movidos por esses medos, criamos estratégias para evitar que aquilo que tememos aconteça.
Assim, passamos a viver o presente em função de uma imaginação do que pode acontecer.
Mas se passo a maior parte do tempo a defender-me de algo que nem está aqui e agora… vivo numa ilusão constante.
E enquanto não parar para olhar — com olhos de ver — continuarei a materializar mais medo.
Muito bem!
Se o que causa esses pensamentos é o paradigma do medo, disseminado pela grande mídia, então… se eu mudar o tipo de conteúdo que consumo, também mudarei o meu paradigma?
Quando começamos a questionar a informação que nos é imposta, abrimos uma verdadeira caixa de Pandora.
Questionar é o primeiro ato de libertação.
Questione. Questione-se.
E se tudo isto for uma ilusão... então onde está a verdade?
Autora: Juliana Rosi


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