O Amor que Espelha

 



Aprender a amar-se é o ato mais corajoso de um coração cansado.

Há algo nos relacionamentos amorosos que nos devolve a nós mesmos — às partes que tentamos esquecer, às dores que pensávamos já curadas.
Eles espelham, com precisão quase cruel, tudo o que ainda precisa ser visto e amado em silêncio.
Não é castigo, é convite.
E aceitar esse convite é começar a caminhar de volta para casa.


Quando penso em escrever sobre relacionamentos, sinto um pequeno incômodo no coração.
“Será medo?”, pergunto-me.
Parece-me que sim… há memórias de medo associadas aos relacionamentos — principalmente aos amorosos.

Pela minha experiência, percebo que, mais do que em qualquer outro tipo de relação, são os relacionamentos amorosos que mais mexem com os nossos gatilhos inconscientes.
Por isso despertam tantas emoções com as quais não queremos lidar. Fugimos desse enfrentamento o tempo todo.

Engraçado como, na maioria das vezes, os traumas que emergem nesses vínculos são os mesmos que vivemos na infância.
E, paradoxalmente, uma das maiores fugas da atualidade são os próprios relacionamentos amorosos.
Entramos e saímos deles como quem troca de roupa: sempre à procura de algo.
E encontramos — porque o universo, sábio, trata de nos mostrar exatamente aquilo que estamos prontos para ver.

Procuramos amor fora de nós, mas o universo nos devolve um espelho.
Ele reflete, sem descanso, que o amor que buscamos está dentro de cada um de nós.
Aponta, com precisão, os lugares que ainda precisam do nosso olhar, da nossa aprovação.
Mas, teimosos, insistimos em procurar tudo isso fora.

Em algum momento, quem devia ter nos ensinado sobre o amor ainda carregava o seu próprio fardo — e, sem querer, passou parte dele para nós.
Seguimos acreditando que esse peso nos pertence… até que o espelho vem e sussurra:

“Dê amor onde dói.
Só você sabe como e onde dói.
Portanto, só você pode amar essa parte tua.
Só você pode suprir o que ela tanto precisa.”

Tenho aprendido, após um longo período de relações conturbadas, a olhar para essas partes de mim que ainda pedem amor — partes feridas, cansadas de carregar um fardo que nunca foi delas.
“Eu posso libertá-las disso. Eu posso me libertar disso. Agora. E eu o faço.”

Deito comigo, observo o que dói, escuto.
Converso com esse lugar ferido, ofereço-lhe atenção.
E decido amar.
Amar como ninguém conseguirá fazer.
Só eu.

Essa prática tem-me ajudado a libertar mágoas, culpas, medos, ansiedades e todas as sobras emocionais que ficam após o fim de uma relação.
Aprender com as experiências traz gratidão pelas situações que um dia nos fizeram sofrer.
E é aí que o sofrimento dá lugar ao amor.

Sigo agora leve, fofa e fresca como uma alface — sentindo tudo o que preciso sentir.
Porque sentir é humano.
Mas sofrer… é uma escolha.



Autora: Juliana Rosi

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