A Metade da Laranja Sou Eu
Ahh… como tudo parece tão intenso dentro de mim.
Sentimentos, pensamentos... não sei explicar. Acho que não sei.
Sinto que há tanto em mim — tanta alma, tanto sentimento... tanta inquietação.
Queria ser como um lago límpido e calmo, mas meu ser insiste em ser esse mar cheio de ondas, que vêm e vão sem cessar.
Em meio a essa corrida pela espiritualidade, pela calma interior, por evoluir, ser melhor, ser mais, mais, mais…
Sinto como se eu não estivesse a caminhar.
E, no entanto, a voz no fundo do meu coração sussurra:
"Não há nada de errado contigo."
Tenho apenas que aceitar as minhas emoções, acolhê-las com amor e carinho.
Tenho apenas que observar os meus pensamentos… sem me fundir a eles.
Mas o mundo quer me estimular o tempo todo a ser mais, a fazer mais, a alcançar mais —
como se eu já não fosse tudo aquilo que preciso ser.
Lidar comigo e com todos esses estímulos externos que aprendi que precisava seguir… não é fácil.
Desapegar dessas pressões, dessas comparações… é um processo.
Fui condicionada a vida inteira a seguir o que os outros achavam que era melhor para mim.
Fui ensinada a ser boa — ou iria para o inferno.
E ser boa, diziam, era agradar aos outros, mesmo que isso me custasse a saúde emocional e mental.
Se eu não agradasse, seria rejeitada.
E essa dor… eu não poderia suportar.
Mentira.
Resolvi dar a mim mesma tudo aquilo que nunca recebi do lado de fora.
Resolvi me oferecer o amor, a compreensão, a empatia, a compaixão, a aceitação…
que um dia aprendi que precisava buscar nos outros.
Descobri que sou capaz de me dar tudo aquilo que preciso para estar em paz.
Descobri que não é a felicidade que eu procuro — é a paz.
O mais importante é que a minha criança esteja nutrida de amor, carinho, empatia, aceitação.
E eu sou capaz de lhe dar tudo isso.
Na verdade, sou a única que pode satisfazer as necessidades daquela criança que ainda anseia por acolhimento.
Eu sou capaz.
Eu tenho dentro de mim tudo o que preciso.
Caramba!
Que amor é esse que me preenche tão bem?
Que se encaixa em mim como se fosse a peça que faltava no meu quebra-cabeça?
(hahahahah...)
Como é bom e maravilhoso me amar.
Como é bom saber que aquilo que eu procurava fora… está aqui.
Bem aqui.
Nas palmas das minhas mãos.
O amor, a aceitação, a empatia, a compreensão e a compaixão… estão em mim.
Sempre estiveram.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Eu sou o meu molde.
Eu sou a minha metade da laranja.
Eu não estou pela metade.
Eu sou inteira.
Eu sou tudo o que preciso.
Eu sou amor.

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