Quando tudo se cala: o grito que vem de dentro
Um mergulho cru e sem filtros na busca por sentido, identidade e verdade. Porque às vezes, perguntar já é um ato de coragem.
Este texto não traz respostas. Traz perguntas — essas que habitam o fundo do peito e que, por mais que tentemos ignorar, continuam ali, pulsando. É um desabafo, um eco interno, uma procura desesperada por chão firme num mundo que tantas vezes parece feito de névoa. Se te sentes perdida, inquieta, ou cansada de fingir que sabes quem és… talvez encontres um reflexo teu aqui.
Quem sou eu?
Escuto — no barulho da minha mente — vozes sem fim.
Sinto — no pulsar do meu coração — emoções sem medida.
Na minha pele, na minha alma… vibrações, energias, ruídos que me atravessam.
Mas… para além de tudo isso,
quem sou eu?
Quando todas as vozes se calarem.
Quando as emoções cessarem.
Quando as vibrações se aquietarem.
Quando o barulho finalmente parar — dentro e fora.
Quem sou eu?
Onde estou, no fundo de todas estas camadas?
Debaixo do rebuliço das emoções, da confusão da mente?
Eu existo?
Serei eu apenas uma miragem?
Uma ilusão? Uma personagem que me convenci a interpretar?
Tenho-me levado demasiado a sério… talvez sem necessidade.
Fui enganada?
Achei que tinha algo a dizer. Achei que tinha uma missão, um papel…
Mas talvez não.
O que faço eu aqui?
Diz-me, por favor.
Quem sou eu?
Quem poderá responder?
Se nem a minha própria voz me inspira confiança…
Se nem a minha mente me dá certezas…
Quem está aí a escutar?
Há alguém?
Responde!
Fora de mim, tudo parece vão.
Pó. Ilusão.
Onde estás, verdadeira essência?
Quem és tu,
essa força que cria tudo isto?
Esse arquiteto silencioso?
Revela-te.
Achas justo dar-me esta fome de respostas… e não saciá-la?
Dar-me a capacidade de questionar e não a de compreender?
Há em mim uma força gigante — eu sinto.
Uma vontade insaciável de saber, de entender, de tocar a verdade.
Mas, muitas vezes,
os pensamentos atropelam tudo,
as emoções tomam conta,
e já não sei distinguir
o que é verdade
e o que é ilusão.
Para ser sincera…
não sei se alguma vez conheci a verdade.
Tenho lampejos.
Mas não sei o que são.
Quero ter certeza.
Quero sentir chão firme sob os pés.
Será possível?
Ou terei de viver com esses pequenos arrepios na espinha —
essas criações da minha mente que finjo acreditar que são reais?
Não.
Não vou me contentar com isso.
Posso aceitar que não sei —
e talvez nunca venha a saber.
Mas vou continuar a procurar.
É mais forte do que eu.
Sabe porquê?
Porque olho à minha volta…
e nada faz sentido.
O que vim fazer aqui?
Para que estou aqui?
Qual é o meu papel?
Leio respostas por todo o lado —
mas nenhuma me preenche.
Nenhuma me cala por dentro.
Eu quero saber.
Quero sentir a resposta,
lá no fundo.
Quero simplesmente…
saber.
Nem precisa explicar.
Mas deixa-me sentir que sei.
Acalma o meu coração.
Acalma a minha mente.
Diz-me…
o que preciso saber.
Autoria: Juliana Rosi


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