O Ato Corajoso de Sentir
Acho que já disse isso antes, mas viver é mesmo um ato de muita coragem.
Estar disposta a saborear todas as emoções e sensações — sem filtros — não é fácil. Elas não pedem licença. Chegam sem convite, invadem o meu território sagrado e bagunçam a calmaria que tanto me custa encontrar… mesmo quando eu sei que está tudo aqui, ao meu alcance.
Calmaria, paz, amor, medo, tristeza, alegria, ansiedade... Nada disso vem de fora. Tudo já vive em mim.
A paz que procuro não está fora — ela está aqui, sempre pronta, sempre disponível.
Mas por que é tão difícil acessá-la?
Hoje ouvi algo que me fez pensar:
“As pressões da vida nos tiram do nosso centro, da conexão com o Eu Superior.”
Faz sentido.
A todo momento, algo acontece ao nosso redor. Tudo pode nos influenciar — principalmente os pensamentos.
E como eu sei disso…
A minha mente é um campo de batalha.
Ela tem o poder de destruir o meu dia ou de torná-lo uma experiência maravilhosa. E mesmo sabendo disso, mesmo com toda a consciência que já tenho, continuo a cair na armadilha: deixo que os pensamentos negativos me arrastem para dentro de ilusões que drenam a minha energia.
É como se eu negligenciasse a minha saúde emocional.
Não reservo o tempo que preciso para voltar pra dentro, lembrar quem sou, cuidar da minha mente.
E o mais curioso? Mesmo nas fases em que meditei todos os dias, estive sozinha, em silêncio…
A cabeça não parava.
Frenética. Inquieta. Como uma criança que não cala.
Dizem que é possível silenciar os pensamentos. Eu acredito.
Mas ainda não experimentei essa quietude completa.
Já toquei na calma… mas sem ausência total de pensamentos.
E então, onde quero chegar com tudo isso?
Não sei.
Será que é preciso ter sempre um destino? Um fim?
Ou o fim e o início são a mesma coisa?
Quando termina o ruído e começa a calmaria?
Como não me deixar perturbar por pensamentos catastróficos?
Como não me afogar em emoções fortes como o medo, que me faz sentir insegura, ansiosa, e alimenta ainda mais os pensamentos?
É possível ignorar o que se passa dentro de mim?
Ou será melhor escolher — com firmeza — onde coloco a minha atenção?
Mas como ignorar se tudo em mim sente?
Se os meus ouvidos captam o ruído, se as minhas células dançam conforme a emoção?
Como sentir sem reagir?
Como agir apenas quando é mesmo necessário agir?
Como focar no que importa e deixar ir o resto?
Querida Inata, se isso é possível, mostra-me.
Diz-me o que preciso saber.
Eu acredito que tudo se aprende com treino.
Repetição. Dedicação. Até se tornar hábito. Até se tornar parte de mim. Automático. Natural.
Estar no comando deste cavalo selvagem — a mente e o corpo — é um desafio.
Mas é possível.
É preciso esforço, sim, mas também presença. E intenção.
Nos momentos escassos, respira.
Nos momentos intensos, respira.
Porque quando o treino se torna um estado, cada momento é um portal para a paz.
Toda a sabedoria que eu procuro já vive em mim.
Basta fazer a pergunta certa… que a resposta sempre vem.
Obrigada, querido mestre interior.
Autoria: Juliana Rosi
Foto de nikko macaspac na Unsplash


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