Desvelando o mistério que habita em mim
Há um mistério latente em meu ser. Algo que transcende qualquer explicação ou medida. É uma força que ultrapassa os limites do meu entendimento, mas cuja existência é indiscutível. Não sei como sei, mas sei. Está aqui, em meu íntimo. Preenche-me por completo, mas "completar" não é a palavra exata.
É algo já completo em si mesmo, autossuficiente, inteiro e imutável. É uma presença poderosa e soberana, porém dotada de uma sutileza tão etérea que me faltam palavras em meu vocabulário limitado para descrevê-la. Eu sinto sua força e seu apoio incondicional. Esta presença é um enigma inexplicável.
Como falar de algo que não consigo ver nem explicar, apenas sentir? E até mesmo o que sinto é difícil de traduzir em palavras. Quero mergulhar nas profundezas de meu ser para encontrar formas de te descrever, ou simplesmente expressar o que me fazes sentir, enfim, dizer algo sobre ti. E falo como se fosses um indivíduo, pois não sei como conferir identidade a essa presença em mim.
O que sei é que essa presença permeia cada célula do meu corpo. Falar sobre isso sem me sentir tola é difícil, pois transcende toda racionalidade.
Ao olhar para a chama da vela que arde num altar no canto do quarto, percebo que, de algum modo, essa mesma presença habita na chama, e que estou conectada a ela através dessa força. Sinto uma comunhão com o fogo que queima naquele pavio. É como se ele fosse parte de mim, como se fôssemos uma só entidade.
Seria tudo isso uma ilusão de minha mente?
A luz do sol que brilha lá fora me convida a me banhar em seu calor. Eu sinto esse chamado. Será apenas o desejo de sentir o calor do sol, ou há algo mais profundo? A terra chama meus pés a desnudarem-se e a sentir sua presença, sua energia. Toda a natureza me convida a estar presente e a participar da existência.
– "Levante-se, Juliana!" diz ela para mim, e eu me emociono ao ouvir seu chamado. Sinto-me grandiosa, mas não maior que o resto, sinto-me próspera, abundante, infinita, imparável, capacitada, amada, feliz.
– "Chegou o teu momento, velha alma. Levante-se! Este é o chamado. Abrace-o! Tome posse do que é teu por direito: tua liberdade!" – "Esse sempre foi o anseio profundo de tua alma. Liberdade! E a tens gravada em tua pele. Quando o fizeste, nem sabias ao certo o porquê, mas como ser humano livre que sempre foste, ouviste a voz do teu coração."
Deito-me em teus braços e me deixo ficar, pois és meu refúgio, minha segurança. És a fonte que sacia minha sede. Ah! Quanto procurei por ti fora de mim, mas estavas aqui, o tempo todo. Não há necessidade de ir a lugar algum, basta parar e chamar por ti. Nem preciso falar, basta sentir com o coração, e tu já me reconheces, pois sabes tudo sobre mim, absolutamente tudo.
Ó, divina presença! Obrigada por seres tão forte, verdadeira e plena dentro de mim. Obrigada por compreender toda a extensão da minha ignorância, e mesmo assim, permaneces imutável. Pois conheces todos os motivos, és detentora de toda a sabedoria.
Eu me rendo a ti, soberana presença. Obrigada!
Autora: Juliana Rosi
Foto de Marcos Paulo Prado na Unsplash


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