Desafios do coração



Abrir o coração... o que vem à mente quando ouvimos isso? Como assim, abrir o coração? Desde quando meu coração está fechado? E o que significa isso? Enfim, dúvidas e mais dúvidas.

Penso que abrir o coração significa remover a desconfiança, o medo e a insegurança que nos assolam diante de situações que não controlamos. A desconfiança, o medo e a insegurança funcionam como uma armadura que criamos para nos proteger de situações que supostamente podem nos causar dor e sofrimento.

Muitas vezes, aliás, durante toda a vida, passamos por momentos desafiadores, uns mais e outros menos, mas sempre acontecem. A vida é uma constante de altos e baixos. Ou seja, a impermanência é a única coisa permanente. Tudo está sempre em movimento e transformação.

O fato de não levarmos isso em conta no nosso dia a dia e, também, devido às diversas expectativas que criamos em nossa mente, acabamos nos frustrando quando as coisas não acontecem como esperávamos. Mas onde quero chegar com isso?

Muito bem! Estamos falando sobre como o medo, a insegurança e a desconfiança se tornam muros e armaduras que supostamente nos protegem de outros eventos traumáticos. Mas será que é mesmo possível nos proteger com essa armadura? Há sequer uma chance de nos protegermos da vida?

Tenho vivido isso e pensado muito a respeito. O que noto em mim é que o medo e a desconfiança só me trazem ainda mais sofrimento. Recentemente, conheci uma pessoa e começamos a nos relacionar intimamente. Imediatamente, surgiu em mim um medo enorme de me magoar novamente. Com esse medo veio a desconfiança sobre as atitudes do outro e, naturalmente, uma grande insegurança atrelada a esses dois sentimentos.

A desconfiança me faz ficar atenta a tudo o que o outro diz e faz, pois não quero cair novamente na mesma armadilha que tanto me machucou no passado. A desconfiança me impede de agir naturalmente, e penso que, por causa disso, fico me sentindo muito insegura.

A insegurança me faz ter pensamentos negativos sobre mim, tais como: será que ele gosta de mim? Será que ele me acha uma chata? Será que vai dar certo? Ai, meu Deus, e se ele for igual ao outro? E se eu não conseguir enxergar a manipulação? E se eu me afundar novamente nesse lago de sofrimento? Socorro!!!

Aí, imediatamente, fico cheia de medo e, por causa disso, coloco como proteção a desconfiança. Desconfio de tudo o que o outro diz e faz, usando isso como se fosse uma proteção contra o sofrimento. Torna-se um círculo vicioso onde uma coisa leva a outra. No fim das contas, não passa de uma fantasia do meu ego. Porém, é uma fantasia que me faz sofrer.

Portanto, veja bem, isso não me protege contra o sofrimento. Muito pelo contrário, só me traz sofrimento desnecessário, pois nada aconteceu e eu estou sofrendo da mesma forma! Ou seja, creio que a melhor opção é me entregar e deixar as coisas acontecerem. Se tiver de sofrer, será por algo que realmente está acontecendo e não por uma fantasia que minha mente criou.

O sofrimento causado pela fantasia não me ensina nada, é completamente inútil, mas o sofrimento causado por algo que realmente acontece, esse sim me ensina grandes lições, pois experimento a realidade. Vivo de verdade.

Situações desafiadoras acontecem o tempo todo em nossas vidas e o mais importante não é o sofrimento que nos causaram, mas sim aprender com a situação. Ser capaz de olhar para o que está acontecendo e nos colocarmos como responsáveis por aquilo que sentimos. Por que permito ou atraio certas situações? O que preciso aprender com isso? Quando colocamos estas questões, abre-se uma luz dentro de nós, que nos guia para as respostas que precisamos. E assim, aprendemos muito com nossos erros. Costumo dizer que só erra quem faz.

Porém, meus amigos, acho que é perfeitamente normal e humano que fiquemos traumatizados com situações dolorosas e que o medo, a desconfiança e a insegurança apareçam diante de novas situações.

No entanto, a pergunta que não quer calar é: como faço para me libertar desse medo e desconfiança que ficam após uma situação traumática? Creio que a primeira coisa a fazer é tomar consciência de que estamos agindo da forma que mencionei acima, ou seja, criando fantasias que nos fazem sofrer de forma inútil.

Pergunte-se: o meu medo é real? Essa situação ou pensamento que estou criando em minha mente é real? De onde vem esse medo? Por que sinto medo?

Analiso meus pensamentos constantemente e só assim consigo entender que crio fantasias e o medo, a insegurança e a desconfiança são apenas fantasmas do passado que querem interferir no presente com a intenção de me proteger. É uma intenção do ego de se proteger do sofrimento, mas só causa sofrimento.

Conclusão: quem causa o sofrimento é o meu próprio ego, ou seja, eu mesma! Bolas!! Mas como deixo de me causar sofrimento? Para mim, o que estou testando no momento é não dar importância a estas fantasias e não permitir que minha mente crie mais fantasias, pois já tenho consciência de que são apenas fantasias.

É fácil? Não! Não é fácil. Mas vamos ver o que acontece nos próximos capítulos dessa novela chamada "minha vida."


Autora: Juliana Rosi

Foto de Giulia Bertelli na Unsplash

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