Desapego: A Minha Última Declaração de Amor



Solto-te para me recuperar do que inventei sobre nós.


Hoje acordei com o coração apertado por causa de um sonho que tive contigo.

No sonho, tu estavas noutro momento da tua vida — distante, talvez até com outra pessoa. Não sei se era só o teu orgulho falando mais alto, impedindo-te de mostrar qualquer sentimento… porque, no fundo, eu sei que ainda sentes. Mas o sonho tocou num ponto que eu vinha evitando olhar de frente.

Acordei a perceber com mais profundidade de onde vem essa saudade que me visita. Saudade de quê? De ti? Se sei que não vais mudar por minha causa?

Então caiu a ficha: a saudade que sinto não é de ti, mas da fantasia que criei. Da ideia do que poderíamos ter sido, mas não fomos.
E é esse apego à fantasia que às vezes me faz acreditar que sinto falta de ti. Em parte até sinto… falta do teu cheiro, do teu abraço, do teu corpo quente no meu. Falta do teu sorriso, da tua voz.

Fomos rápidos a descartar um ao outro da mesma forma que fomos rápidos a nos incluir na vida um do outro — mergulhámos sem pensar na paixão que sentíamos. Mas será que valia mesmo a pena insistir em algo que me fazia mal? Continuar a depositar energia na esperança de que, com o tempo, tu mudarias?

No fundo, era mais uma fantasia:
a fantasia de que se eu mudar, tu também mudas…
se eu fizer diferente, tu vais finalmente abrir o coração.

Possível? Talvez.
Mas… e eu?
Eu mereço continuar a bater numa porta que não se abre?
A gastar energia a tentar encontrar uma brecha, uma fresta, uma chave que destranque o que tu não queres destrancar?

A falta de vulnerabilidade mata o que poderia ter sido. E aqui estou eu, a reconhecer isso com o peito a arder.

Neste momento, escolho desapegar-me das minhas fantasias sobre ti e sobre tudo o que poderia ter sido, mas não foi.
Despeço-me, mesmo sabendo que ainda te amo. Entrego e deixo ir, com lágrimas nos olhos. Com saudade a apertar. Com a vontade tola de te ligar e dizer que te amo — mesmo sabendo do idiota que és.

Às vezes até me dá vontade de te esmurrar e gritar que te odeio.
Odeio-te por não teres correspondido às minhas expectativas.
Odeio-te por não seres aquilo que eu fantasiei.

E mesmo assim, continuo a amar-te — agora sabendo exatamente quem és.

Mas escolho não bater mais na porta que não se abre.
Escolho abandonar a vontade de viver algo extraordinário ao teu lado — porque simplesmente não foi possível.
Escolho não furar mais a minha carne com os teus espinhos.

Eu escolho-me.
Escolho dar a mim o que um dia procurei em ti.
Escolho, finalmente, desapegar-me desta fantasia.

Está feito.


Com amor e alma,
Juliana Rosi

Comentários