O Sussurro da Alma: Entre Sonhos, Desafios e a Arte de Deixar Ir
Existe um mundo, o mundo dos sonhos, onde se desenrolam incontáveis eventos a cada dia. Eles ocorrem tanto enquanto durmo quanto quando estou desperta. Nesse universo, presenciam-se catástrofes e narrativas sublimes de altruísmo e amor.
É um mundo onde passamos grande parte de nossas vidas, tecendo imagens. Sonhamos de forma consciente e inconsciente. O que muitos ignoram é que essas histórias, que "criamos" voluntária e involuntariamente, moldam nossa percepção do mundo e fazem com que ele se materialize em nosso cotidiano.
Não creio que tenhamos controle sobre o que nos circunda. No entanto, podemos escolher como reagir diante das situações inesperadas. Essa escolha é o que verdadeiramente importa, e nela reside o segredo. O segredo para atrair o que desejamos. Ao guiar a maneira como respondemos aos desafios, controlamos também nossa vibração emocional, e essa vibração atrai o que lhe corresponde.
Se ressoas com mágoas, conflitos e falta de perdão, mais disso verás ao teu redor. Mas, se optas por aprender com os desafios, colherás lições valiosas que te elevarão a uma frequência vibratória mais alta, onde atrairás mais perdão, mais autoconhecimento, mais cura para tua vida.
Escolher olhar na direção certa não é tarefa fácil, pois implica deixar de lado um fardo que não te pertence, mas que te acostumaste a carregar, a ponto de crer que é teu, quando, na verdade, não é.
— "Solta, velha alma. Deixa ir tudo o que não te pertence. Aprecia tua própria companhia. Ama-te tão profundamente que não haja espaço para te deixares magoar por nada, nem por ninguém. Isso não significa que não haverá momentos de dor e mágoa, mas eles serão passageiros, e tu sabes disso.
Por isso, deixa-os vir e deixa-os ir, da mesma maneira. Sabes que tudo é transitório. Assim como deixamos ir as dores e tristezas, também precisamos nos desapegar dos momentos de euforia e êxtase. Naturalmente, eles também são efêmeros. Desejar manter a vida em um estado constante de alta energia e êxtase não é viável e apenas trará sofrimento."
O corpo necessita de serenidade e descanso. Muitas vezes, um dia de baixa energia é simplesmente um pedido do corpo para que permaneças em casa, deitada, lendo um livro ou, talvez, não fazendo absolutamente nada. Um dia em que não há preocupações.
Precisamos, de vez em quando, conceder a nós mesmas esse privilégio, ouvir nosso corpo quando ele clama por repouso. Oferecer a nós o amor em forma de cuidado.
Deixar de lado o peso das preocupações com obrigações autoimpostas. Aquelas que nos fazem acreditar que, se não forem cumpridas, estaremos em falta com nosso processo de crescimento. Penso que, se não estiver sempre atenta, algo dará errado, e me perderia no caminho outra vez, temendo o sofrimento e o julgamento implacável da minha própria mente.
A verdade é que sei, no fundo, que se algo tiver de acontecer, acontecerá, e nada posso fazer para impedir. Só posso escolher como passarei por isso — aprendendo com o processo, chorando quando preciso for, esperneando e até surtando, porque esse corpo é humano, cheio de mistérios e gatilhos inconscientes que ainda não desvendei.
Posso optar por enfrentar esses desafios com leveza, pois, na maior parte do tempo, não sei o que fazer, apenas escuto a voz dentro de mim. E a cada dia a escuto mais, embora, por vezes, ainda tenha a audácia de questioná-la, sabendo que ela nunca se equivoca.
Quanto mais a questiono, mais recebo provas de que está sempre certa e deseja o melhor para mim. Ela jamais impõe, é compassiva, amorosa e firme. Posso confiar, e escolho confiar.
Autoria: Juliana Rosi
Foto de Kelly Sikkema na Unsplash

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